segunda-feira, 5 de abril de 2010

Capítulo 3 - Um Encontro Surpreendente

LEGADO DE PAIXÃO

Versão impressa (livro) e digital (ebook)!
Para adquirir o seu basta acessar:

Comprar versão impressa (livro):

Comprar versão digital (ebook): 
https://www.editoraviraletra.com.br/vira-letra-digital-pg-502a7


Acordou com batidas na porta.
As lágrimas a tinham embalado, fazendo com que Isabela adormecesse sem querer.
Nesse pouco tempo de sono conseguiu esquecer de que estava sozinha, no meio do nada, escutando... - o que diabos era aquilo? Passarinhos? - e odiando a miserável da tia Guida!
O ressentimento contra a falecida foi afastado pelas duas vozes, sempre em jogral, que anunciavam:
- Dona Isabela, o almoço tá na mesa!
Com um esforço imenso, conseguiu se levantar. Afastou o último resquício de depressão de uma forma muito mais do que rápida. Não era mulher de se abater, por pior que fosse a situação.
Sentou-se à mesa da sala, que parecia imensa para um só prato. Convidou:
- Vocês não querem almoçar comigo?
Pouco se importando se deveria ou não dar intimidade às novas e ainda desconhecidas empregadas.
Rosa e Janaína riram um bocado. Antes de finalmente explicarem:
- Já comemos faz tempo. Daqui a pouco vamos é lanchar.
Isabela então se serviu. Tentou comer, não querendo ser indelicada.
Mas não descia.
Não que a comida estivesse ruim, pelo contrário, mas... A mesa vazia, e o radinho infame que não parava de tocar, a fizeram sentir uma nostalgia terrível.
Rosa e Janaína perguntaram, preocupadíssimas:
- A senhorita não gostou da comida?
- Gostei sim, é que eu comi no caminho. – mentiu, sem querer deixar as duas chateadas - Tem alguma cidade próxima?
- Cidade, cidade, não, mas tem uma vila a uma meia hora daqui.
- Meia hora andando?
- Não, de carro, né? Andando é mais tempo...
- E tem algum... É... Ônibus, ou sei lá... Alguma condução que me deixe lá?
As duas riram, achando muita graça na pergunta da mocinha da cidade grande acostumada a ter ônibus, metrô, táxi...
- Tem a “jubiraca”.
Isabela não fazia idéia do que diabos era “jubiraca”, mas seguiu as duas até atrás da casa, onde mostraram uma caminhonete velha que parecia um dia ter sido azul.
- Era da dona Guida.
A “jubiraca”, como o sítio, como tudo que tia Guida tinha deixado, era um lixo.
Mas Isabela queria muito dar uma volta, conhecer a tal vila, espairecer a cabeça um pouco, por isso resolveu que não custava nada tentar.
Por dentro o estado da caminhonete era ainda pior: o banco rasgado em vários lugares, a carroceria tão enferrujada que Isabela jurava que poderia a qualquer momento cair com banco e tudo no chão. Inacreditavelmente, o motor ligou, ela passou a marcha e, seguindo as instruções que as duas tinham dado, saiu estrada afora.

Foi bem fácil chegar na vila, que por sinal nada mais era do que uma igreja, uma farmácia, um mercadinho, uma padaria e algumas casas em volta de uma praça. Sentou na pracinha sem se importar com o fato de todas as pessoas que passavam olharem para ela. De vez em quando um sussurro mais alto: é a sobrinha da Guida... Chegou hoje do Rio de Janeiro... Veio tomar conta do sítio...
Comprou um sorvete na padaria e deu mais uma volta na praça antes de voltar para casa.
Vinha contente pela estrada, sem pensar em nada, quando na metade do caminho, a “jubiraca” resolveu morrer. Tentou várias vezes fazer o motor pegar novamente e nada.
Já xingando mentalmente tia Guida, se deu conta que estava parada no meio de uma estrada de terra com nada a sua volta e um sol escaldante na cabeça.
O jeito era andar. Não que fosse problema, estava mais do que em forma, super acostumada a correr na esteira, mas o par de sandálias que estava usando não ajudavam. Depois de uns vinte minutos e algumas centenas de impropérios contra tia Guida, o esfregar dos dedos contra o couro da sandália já tinha rendido algumas bolhas.
Se não tivesse escutado um galope antes de olhar para trás, pensaria que o sol a estava fazendo ver coisas.
A visão era impressionante: uma mulher ofuscantemente linda, montada num magnífico cavalo negro, com os cabelos vermelhos esvoaçantes.
- Perdida? - ela perguntou.
- Ãh? - foi só o que Isabela conseguiu responder.
- Tá perdida, moça? - e como ela não respondesse: - Tá se sentindo bem?
Rápida, com uma agilidade surpreendente, a mulher desceu do cavalo. 
Isabela só pensava no estado lamentável em que deveria estar, toda suada, descabelada, o rosto vermelho do sol e os pés em frangalhos...
A mulher, por outro lado, era ainda mais interessante de perto, com a camiseta e a calça tão justas que deixavam todas as curvas do corpo perfeito desenhadas. Botas de montar até os joelhos completavam o quadro avassalador.
- O que faz aqui, no meio do nada?
- Meu carro quebrou, então o jeito foi andar.
- Andar? Com essas sandálias?
O olhar que ela lançou para Isabela deixou claro que a achava uma completa e total idiota da cidade.
- Vai pra onde?
- Pra casa...
Antes que pudesse completar a frase, a mulher lançou um olhar impaciente, como quem diz: “tudo bem, mas onde fica isso?”
- Sítio do Sol Nascente.
Isabela percebeu que até então a mulher ainda não a tinha olhado de verdade.  Os olhos castanhos avaliaram-na de cima a baixo, com um misto de surpresa, curiosidade e algo mais que Isabela não conseguiu desvendar.  Depois se fixaram profundamente nos dela, enquanto dizia:
- Eu te levo.
Montou novamente no cavalo, com uma destreza impressionante, e estendeu a mão. Isabela, que nunca na vida tinha andado a cavalo, hesitou:
- Melhor não.
- Nunca montou?
O arzinho de superioridade da outra já estava irritando Isabela. Ia dar a resposta merecida, quando, com um sorriso irresistível, a mulher disse num tom de voz quase carinhoso:
- Vem. Pode confiar.
Segurar a mão que a outra estendia para ajudá-la a montar causou em Isabela um arrepio gostoso, mas melhor ainda foi sentar atrás daquela mulher linda no cavalo. Usando o medo como desculpa, passou os braços em torno da cintura dela com força, colando totalmente os dois corpos no abraço. Fechou os olhos e curtiu aquela sensação deliciosa do vento batendo em seu rosto e a intensidade do corpo quente da outra contra o dela.
- Chegamos.
Abriu os olhos, e viu com surpresa que já estavam paradas em frente ao sítio.
- Obrigada. - Isabela disse, desmontando, bastante sem graça.
- Disponha.
- Meu nome é Isabela.
- É, eu sei. Eu sou Fernanda.
Virando o cavalo, Fernanda foi embora deixando Isabela estática. 
A amiga da tia Guida não era nenhuma senhora como ela pensava. A mulher que herdaria o sítio caso ela falhasse, não era ninguém menos que a jovem, linda e incrivelmente atraente ruiva que em um único encontro já deixara Isabela totalmente fascinada.


LEGADO DE PAIXÃO
Versão impressa (livro) e digital (ebook)!
Para adquirir o seu basta acessar:
Comprar versão impressa (livro):

Comprar versão digital (ebook): 
https://www.editoraviraletra.com.br/vira-letra-digital-pg-502a7


Nenhum comentário:

Postar um comentário